domingo, 2 de dezembro de 2012


Ciclo

 

Esta é a mão minha, pálida, que treme
Ao construir-te em forma de palavras!
Tua rouca voz imita a das escravas,
Que à Lua implora pelo céu que geme...

 

Não te dei à vida pernas ao volteio...
Ainda que gozes, clames, a tua lágrima
Será derrota mágica na esgrima,
E as tuas misérias hão de ser o enleio!

 

Na curvilínea face, oh quimera
De estratosférica e alva magnitude,
Vejo o alastrim tornando-te o alaúde,
Pois é a Desgraça a monarca que impera!

 
Ah!... Como admiro teu Pendão celeste!
Tu és meu sonho trágico e apertado...
Vivo e mortal, serpente e fogo armado,
Que aos galopes, como Corcel vieste!

 
Lindos planaltos mórbidos, vicejo.
Graças a ti, meus olhos serão eternos...
Meu coração terá a benção dos Infernos,
E num suspiro, o último bocejo...

 
Caiamos nós, unidos e felizes!
Que desbravemos ares outros: ser...
Posto que a terra há de nos comer,
E viveremos sob outros matizes.

 

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