A Ilha dos Amores
I
Urubus em meus dedos pousam
Quando os ergo em súplica aos céus!
Nenhum sinal do vento, do mar, da relva...
Nenhum sinal de nada, nenhum!
(sou alma esquecida na Ilha dos Amores.)
II
Ó desespero, ó desgraça, ó desventura...
Há tempos que estou perdido nesta terra de ninguém!
Há tempos que vejo voarem minhas lágrimas
Como pássaros, no escuro firmamento!
(estas, minhas amigas nas horas de solidão.)
III
Virão a perguntar-me as pessoas, creio,
Como vim parar neste lugar:
Responderei que fora um repleto navio
De dores e tormentas, que me trouxe em longa
[viagem...
(navio feito de sol transformado em sangue.)
IV
Desde que cheguei aqui, a Loucura é meu afã!
Nada vivo, nada penso, nada! Nada existo...
O que segura meu corpo, tão somente é uma
Esperança que rabisca o céu feito um trovão!
(ela desfalece a cada respiro meu.)
V
Ó, Ilha! Ó, Ilha! Ó, Ilha dos Amores...
(Para cá são trazidos os desertados duma vida triste,
Duma vida composta por beijos-sertão!)
Acolha-os bem! Dê a eles o que comer, o que sonhar!
Em seus braços, espero que se sintam mais libertos!
(e que se esqueçam, enfim, de que por amor sofreram!)