O caminheiro
Os caminhos por que cruzei. As pedras que
em meu caminho encontrei foram pequenos asteroides colocados pelo Céu, em sua
máxima vontade, para que eu aprendesse algo frutífero.
Não gostei de ouvir as vozes clamantes, as
torturas verbalizadas sofridas pelos cansaços de braços e pernas, de algo que
se possa chamar de homem. Sou caminheiro!... Sou carne que vê as outras carnes apodrecerem, se estimarem em algo que não se resume a nada perante as Leis da Natureza. Com meus passos indistintos, ferozes para comigo mesmo, tracei comparações, fiz análises acerca de meus semelhantes!...
Constatei a inveja, a protuberância no ego de seres inatamente consagrados em sua mediocridade!... Como podemos proceder a respeito de tantas misericórdias concedidas por Deus? Como posso perscrutar os enigmas da Vida, se ela mesma se faz Mistério intransponível? Há controvérsias, há controvérsias...
O Firmamento me esclarece: é ser decrépito, é sombra da Vontade, do Desejo, é ser claramente imerso em obscurantismos malditos, o Homem. Prazeres incontroláveis, moral supostamente não violável, mas aberta totalmente às críticas!
Oh, Destino!(Que põe a mim como seu fiel escudeiro)! Cauterize-me as torpes indagações, as dúvidas pelas quais eu coloco-me! Sou caminheiro, e ainda sim, não compreendo as majestades imperantes em meu esqueleto!...
Claro vejo-me: um homem torpe, um homem decapitado! Sou inútil às imagens criadas dos homens, posto que são a imagem e semelhança do Criador! E ainda afirmo-me como um estóico, perante Séneca, perante Epíteto, perante os gregos memoráveis!...
Sou caminheiro... pelo o quê devo atrever-me? Até quando minhas carnes ainda suportarão o peso de meu sumiço...?