O boneco apaixonado
Não consigo amarrar os sapatos,
Pois meus cadarços são de aço
E em minhas veias pulsam estáticas melodias.
Não consigo amarrar os sapatos,
Pois minhas mãos e pés o encantamento respiram
Quando malogrado vejo-me diante do espelho.
Minha vida é um grande vazio de movimentos...
Eu aqui, parado, contemplo n’amplidão
Tua Luz, teu patamar elevado, tuas mãos;
Da sorte que não tenho, só fico a sonhar-te!
Os caminhos para alcançar-te, não trilho...
Estás muito longe... quase a ti, não enxergo!
Nem ao menos no bolso, consigo o teu brilho guardar...
Meus sonhos sufocam-se pela iminência do impossível...
Enfim, sou exatamente isto que vês:
Um reduto...um reduto de paralisias!
Contudo, mesmo sendo o que me resume,
O Vento, as Cachoeiras e Cavalos, eu amo...
Os invejo, por isso que os amo:
Não vivem assim como eu...assim tristes...
Minha esperança na Roda da Fortuna reside!