segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O boneco apaixonado

Não consigo amarrar os sapatos,
Pois meus cadarços são de aço
E em minhas veias pulsam estáticas melodias.

Não consigo amarrar os sapatos,
Pois minhas mãos e pés o encantamento respiram
Quando malogrado vejo-me diante do espelho.

Minha vida é um grande vazio de movimentos...

Eu aqui, parado, contemplo n’amplidão
Tua Luz, teu patamar elevado, tuas mãos;
Da sorte que não tenho, só fico a sonhar-te!

Os caminhos para alcançar-te, não trilho...
Estás muito longe... quase a ti, não enxergo!
Nem ao menos no bolso, consigo o teu brilho guardar...

Meus sonhos sufocam-se pela iminência do impossível...

Enfim, sou exatamente isto que vês:
Um reduto...um reduto de paralisias!
Contudo, mesmo sendo o que me resume,

O Vento, as Cachoeiras e Cavalos, eu amo...
Os invejo, por isso que os amo:
Não vivem assim como eu...assim tristes...

Minha esperança na Roda da Fortuna reside!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cíclico

O que sei eu do mundo?
Tudo que me rodeia parece tão escondido
Nas sombras das ruas...

(Há uma sombra em cada olhar dos seres!)

Procuro uma estrel’alva, uma estrela
Bela, crucificada, do Céu despendida!
Na Luz, busco uma resposta para este mistério...

Assim vago, assim vivo, assim vejo...
Mas sei que há respostas! Certamente, há respostas!
Mas onde estão? Em qual concha precisa de sonho?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Século XXI

As enfermidades nascem das circunstâncias,
E nada se pode contra poder do acaso.

O silêncio entre um fato e outro perturba,
Fere e inutiliza o meu grito de um instante.

Invariáveis esquinas, sempre mudas,
Tornam-se palco luminoso para a Morte...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A taça

Sonhemos, amor meu! A terra que nos cala
O beijo nosso é um triste recanto da dor!
Ao som do Urutau, tudo sobre nós resvala e
Perde-se no seu doce canto de clamor...

Por prados, pelas montanhas e pelos vales,
Vagaste para além do lindo horizonte!
Esqueça-te das dores...bem aí, não há males
Em ti! Goza-te da viagem com Caronte...

Amor, deixa-me a ti eu seguir...seguir teus passos...
Que o mar todo se abra e sepulte-me no fundo!
Quero ver-te n'alma a grandeza dos Espaços,
E assim, feliz, dar meu último adeus para o Mundo!

Ó, Mundo vão! Ergo a tua Taça, docemente...
Bebo-a e faço-me Anjo, a Estrela eternamente!