A casa
(Paredes
aparentes.)
Assoalho
vestido de lembranças...
Ares de passado,
madeira pelos cupins carcomida.
A senhora
residente - e não menos dolorida nos olhos chora!
Seus
arrebiques já escorrem numa síntese de calamidades,
Tais como
os tsunamis que invadem as outras casas – o homem.
A casa é
sempre um claustro, seguro talvez...tranquilo, talvez...
Não
encontremos nela contradições, posto que não existem:
Esta casa
citada se faz da mesma matéria que as outras:
Anseios,
frustrações, devaneios e solidões...
O real
problema são as órbitas. As outras casas são o problema!
Enfileiradas
pelos quarteirões, unidas por desgastado cimento,
Entreolham-se
aflitas e desconfiadas, agressivas muitas vezes,
Assassinas
e assassinadas outras vezes...
E quanto
às árias tocadas em seu interior?
Em casas
novas e alvas, reformadas em seus mínimos detalhes,
As árias
são compostas por Anjos benevolentes.
No
entanto, em casas velhas, como é o caso da senhora,
As
melodias que a ti constroem são de grandes urubus,
Estátuas
em tua cabeceira.
O tempo
oferecera mudanças, minha senhora! Oferecera venenos
Para que
cuidasse dos cupins, teus amigos de longa data,
Mas que
não via a hora de vê-los partir eternamente.
É... o
tempo passou, e o que fora feito? – Nada...
Em tua casa
ainda permanecem lágrimas, saudades e demônios.
Preocupa-me
isto. Não sei se queres levar estas humanas Fragilidades para o outro mundo – se
é que o há de fato.
(Tua casa
demolida, sinal de que estás morta).