Memória: vislumbrais!
Parto de Minas como quem parte
Para um estranho mundo de coisas.Parto de Minas sem ainda saber que existo,
E que sou feito de carne e de ossos e de ofícios futuros.
Parto de Minas como os cegos partem para o escuro...
Nem mesmo os pedregulhos que embarreiravam
Meu caminho, conheci. Tinha meu corpo embalado
Por minha mãe, por meu pai, pelos outros de minha família.
Oh, Minas! Minas! Minas do meu coração...
Ainda lembro-me que andava com medo,
Tendo-me em meus primeiros passos para a vida,
Tropeçando, e sendo erguido por Anjos.
(Não há de haver pecados num’alma tão tenra, tão dócil,
[tão ingênua.
Os campos que via desdobrando-se em grandiosos
Latifúndios eram meu berço. Os conhecia, despedindo-me deles:
Adeus à manhã, adeus ao galo que cantava em minha casa,
Adeus à noite que morria, mas que dava lugar ao sol que era só
[de Minas.