quarta-feira, 28 de março de 2012

 




Estátuas Reversas

 
Às mulheres que esperam à porta, que nunca abre.
Às mulheres que esperam seus marinheiros
De longas viagens e guerras voltarem,
Pelos mares do Sul e pelos mares do Norte.

 

Às mulheres sem sorte...

 

A essas pobres, pobres mulheres,
Que sonham com olhos de vidro
E tem por senhores, a Morte de marfim!
Às cantoras de bocas em botão.

 

Procuram entre os oceanos, o ouro de aluvião...

 

Gozam elas dum retórico sortilégio!
Delas, os destinos não se cumprem,
Pois as ruas donde pisam são feitas de nuvens,
E o amor se perde em meio às máscaras das estrelas...

 

Dores e lágrimas: claramente, posso vê-las!

 

Quão distantes são os caminhos
Para que duas mãos se encontrem, mas não se machuquem!
Ai, essas mulheres, tristes mulheres! Mulheres sozinhas...
Flores? Beijos? Amor? (Hipóteses amarradas ao vento).

 

...e do ventre – morada escura de seu infeliz rebento,

 

Não sabem se nascerá uma vida, uma gota d’água,
Uma vela, um túnel, uma existência crucificada!
Se se clarificam por uma esperança doce,
Se se deixam guiar pelos oceanos vazios de seus maridos,

 

Hão de entristecer ‘inda mais, os olhos feridos!

 

Como gritam, como rogam e como imploram
À Afrodite, um pequeno favor dos Céus:
“Para as donzelas sofredoras, para as donzelas humilhadas,
Substitua o baú de barro onde mantém as sombras dos amantes,
Por um de espelhos!” (Acalentadas serão, pelas alegrias

                                                                                 retirantes!)